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Parque de Abrolhos recebe título internacional no Dia Mundial das Zonas Úmidas
Escrito por Carine Correa e Aida Feitosa
Ter, 02 de Fevereiro de 2010 22:44

Unidade de Conservação marinha passa a ser o 11º sítio Ramsar brasileiro e o primeiro na Bahia

Ao anunciar o título de "Sítio Ramsar" ao Parque Nacional Marinho de Abrolhos, o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc ressaltou a importância de aumentar a área das unidades de conservação marinhas e de incentivar o manejo das já existentes . ?Nós estamos no prejuízo. Temos um compromisso internacional de proteger 10%, mas apenas menos de 0,5% de nossas áreas marinhas estão em unidades de conservação?, disse o ministro ressaltando o esforço que o governo federal tem feito para mudar esse quadro.

Um exemplo, destacou o ministro, foi a ida do presidente Lula a Abrolhos no ano passado no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), sinalizando a possível ampliação da área de amortecimento do Parque que, agora também Sítio Ramsar, contém 1% do complexo coralino da América Latina. ?Lamento que tenhamos tão poucas zonas úmidas protegidas. Essas áreas são fundamentais tanto para a produção de peixes que alimentam as pessoas como para a conservação da biodiversidade?, completou o ministro.

Relevância mundial - O título de Sítio Ramsar reconhece a relevância mundial da biodiversidade do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. A cerimônia de entrega do certificado foi realizada nesta terça-feira (02/02), em Brasília, durante a comemoração do Dia Nacional das Zonas Úmidas, que ressalta a importância da manutenção das áreas úmidas como uma das formas de contenção dos impactos das mudanças climáticas. Na ocasião também foram lançados uma revista e um vídeo sobre o trabalho do Ministério do Meio Ambiente para a conservação das zonas úmidas brasileiras. A data marca a adoção da Convenção sobre Zonas Úmidas de Importância Internacional, conhecida como Convenção de Ramsar, um tratado firmado por governos de diversos países que estabelece uma ação nacional e uma cooperação internacional para a conservação e uso racional das zonas úmidas mundiais e de seus recursos naturais.

Atualmente a convenção é o único tratado ambiental global que trata das zonas úmidas, áreas alagadas naturais ou artificiais que abrigam grande biodiversidade de fauna e flora aquáticos, formando complexos ecossistemas que abrangem desde as áreas marinhas e costeiras até as continentais como lagos, manguezais e pântanos, áreas irrigadas para agricultura e reservatórios de hidrelétricas.

O tema do Dia Mundial das Zonas Úmidas de 2010, ?Cuidar das Zonas Úmidas ? uma resposta às mudanças climáticas?, tem como objetivo a divulgação em níveis mundial e nacional das ameaças que as espécies e os ecossistemas dessas áreas enfrentam, assim como o importante papel que tais áreas desempenham na mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O reconhecimento da importância do Parque de Abrolhos é resultado de um esforço conjunto do MMA, ICMBio, Parque Nacional Marinho dos Abrolhos e da ONG Conservação Internacional (CI-Brasil), que comandaram o processo de candidatura da unidade de conservação. De acordo com Ana Paula Prates, da Gerência de Biodiversidade Aquática e Recursos Pesqueiros do MMA, a relevância da comemoração desse dia se traduz na intenção de levar ao conhecimento da sociedade brasileira a importância das zonas úmidas para o clima planetário, bem como para a biodiversidade aquática.

Ela ressalta que várias catástrofes ocorridas mundialmente são consequência do mau uso dessas áreas. Ana Paula acrescenta ainda que o desmatamento de matas ciliares, bordas de rios, a contaminação dos corpos hídricos, a impermeabilização do solo, e a sobreexplotação dos recursos aquáticos, entre outros danos, devem ser evitados para que sejam alcançadas as metas do clima e da conservação de biodiversidade.

Para o chefe do Parque de Abrolhos, Joaquim Neto, o diploma de Sítio Ramsar traz a esperança de ?abrir os olhos da sociedade quanto à necessidade de investimentos que assegurem as condições necessárias para a manutenção desta área?. Já para Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da Conservação Internacional, o reconhecimento internacional do parque é importante para trazer maior atenção da sociedade e do governo para sua proteção. ?A ocasião é também oportuna para discutir a necessidade de ampliar as áreas protegidas na região dos Abrolhos, já que o parque, apesar de sua relevância, não é suficiente para proteger a biodiversidade e a manutenção da pesca para as gerações futuras?, avalia.

Além da entrega do diploma de reconhecimento do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, integram ainda a agenda comemorativa do MMA os lançamentos do material de divulgação do Dia das Zonas Úmidas (cartaz e revista) e do vídeo ?Áreas Aquáticas Protegidas como Instrumento de Gestão Pesqueira?, onde são mostrados casos exitosos de recuperação dos estoques pesqueiros em áreas protegidas no litoral brasileiro e em águas interiores. Segundo Ana Paula, o vídeo demonstra que é possível usar e proteger de maneira participativa, ação que deve integrar os saberes científicos e tradicionais.

Instrumento de planificación nacional para aplicar la Convención de Ramsar sobre los Humedales Instrumento de planificación nacional para aplicar la Convención de Ramsar sobre los Humedales

Zonas Úmidas

A definição do conceito de zona úmida surgiu na Convenção de Ramsar, tratado intergovernamental celebrado no Irã, em 1971, que marcou o início das ações nacionais e internacionais para a conservação e o uso sustentável das zonas úmidas e de seus recursos naturais. Atualmente, a Convenção conta com 159 países membros, que possuem 1.885 sítios reconhecidos como de importância internacional para a proteção das áreas úmidas, totalizando cerca de 185 milhões de hectares.

A convenção também classificou as áreas úmidas de importância mundial, os chamados Sítios Ramsar. Existem 1.556 sítios Ramsar reconhecidos mundialmente por suas características, biodiversidade e importância estratégica para as populações locais.

Ao todo, existem 42 tipos diferentes de classificação de zonas úmidas. Estas zonas abrigam uma enorme variedade de espécies endêmicas, mas, também, periodicamente, espécies terrestres e de águas profundas e, portanto, contribuem substancialmente para a biodiversidade ambiental. Além disto, têm papel importante no ciclo hidrológico, ampliando a capacidade de retenção de água da região onde se localiza, promovendo o múltiplo uso das águas pelos seres humanos.

Parque de Abrolhos

Criado em 1983, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos corresponde a uma significativa área de proteção e conservação ambiental que abriga importantes espécies de fauna e flora costeiras. Os limites do parque compreendem duas áreas distintas: a maior, representada pelo Parcel dos Abrolhos e pelo Arquipélago dos Abrolhos, e a porção menor, o Recife de Timbebas.

Em sua totalidade, o Parque Nacional Marinho dos Abrolhos ocupa uma área de aproximadamente 88.250 hectares e está situado na Região dos Abrolhos, caracterizada por um mosaico de ambientes marinhos e costeiros, composto por áreas de recifes de corais, fundos de algas, manguezais, praias, restingas e remanescentes de Mata Atlântica. A localidade possui ainda um alto nível de endemismo, ou seja, ocorrências de espécies exclusivas da região, e apresenta a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

Além de relevante área de conservação ambiental, o Parque de Abrolhos se destaca também por seus atrativos turísticos. Pessoas de diversas partes do mundo visitam a região anualmente para apreciar suas belezas naturais que se mantêm preservadas graças às ações conjuntas do governo federal, de ONGs e das comunidades locais.

Localizada próximo às cidades de Caravelas, Nova Viçosa, Alcobaça e Prado, a unidade é um valioso repositório de peixes de uma das zonas de pesca mais importantes do Brasil. O título de sítio RAMSAR revela a importância e os bons resultados das ações de conservação na região.

Apesar de seu valor ecológico, cultural, social e econômico, o Parque de Abrolhos permanece alvo de ações predatórias. Mesmo sendo uma unidade de proteção integral, barcos de pesca ilegal podem ser vistos nos recifes de Timbebas, e algumas vezes até mesmo no Parcel de Abrolhos durante a noite.

O Parque de Abrolhos passa a ser o 11º sítio Ramsar brasileiro e o primeiro na Bahia.

Além dele, no Brasil há o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (MT), a Estação Ecológica Mamirauá (AM), Ilha do Bananal (TO), Reentrâncias Maranhenses (MA), Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (MA), Parque Estadual do Rio Doce (MG),

Parque Estadual Marinho do Parcel de Manoel Luz (MA), Lagoa do Peixe (RS) e as Reservas Particulares do Patrimônio Natural SESC Pantanal (MT) e Fazenda Rio Negro (MS).

A lista completa dos sítios, assim como mais informações sobre a Convenção e seus procedimentos, podem ser encontradas em:

http://www.ramsar.org/cda/ramsar/display/main/main.jsp?zn=ramsar&cp=1_4000_0

Fonte Jornal Bahia DIA a DIA

Saídas para Abrolhos - Catamarã Veleiro Sanuk
Capacidade do barco 14 pessoas
Mínimo saída de 3 dias 4 pessoas
Mínimo saída de 2 dias 6 pessoas

Fazemos saídas com 4 e 5 dias
Fazemos o naufrágio Nebula
no parcel das paredes

 

“Praga branca” está destruindo recifes de corais de Abrolhos

Doença é causada por bactérias e ataca os corais-cérebros, espécie que é a principal responsável pela estrutura rígida dos recifes

BRASÍLIA/ABROLHOS - Pesquisadores têm constatado um grave e eminente dano ambiental num dos maiores santuários de recifes de corais do litoral brasileiro. O mal denominado “praga branca” está destruindo aos poucos os recifes do Banco de Abrolhos. Localizado no sul da Bahia, Abrolhos é um complexo marinho que abrange 42 mil quilômetros quadrados e é habitat de inúmeras espécies, considerado essencial para o equilíbrio do ecossistema na região. Os fatores que desencadeariam a “praga branca” seriam a elevação da temperatura global e a poluição no oceano.

A doença, provocada por bactérias, ataca os corais-cérebros, espécie que é a principal responsável pela estrutura rígida dos recifes. De acordo com o estudo desenvolvido pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), existe a possibilidade de que todos os recifes da região sejam atingidos de forma irreparável até 2050.

O biólogo da UEPB e coordenador da pesquisa, Ronaldo Francini Filho, divulgou que o percentual atingido pela doença até o momento já chega a 10%, podendo ser ainda maior no próximo verão.

Sexta 20 Novembro 2009 - 09:18:50
Fonte Bahia Dia Dia

Discurso do Presidente  durante a cerimônia de comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente (Caravelas – BA).

http://blog.planalto.gov.br/dia-mundial-do-meio-ambiente/

Discurso Lula MP3 Caravelas

 

Lula garante recuperação do aeroporto de Caravelas


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu nesta sexta-feira (5), em Caravelas, a recuperação do aeroporto do município, que está interditado há dois anos. Segundo Lula, o governo Federal vai recuperar o equipamento, que atualmente pertence à Aeronáutica, e em seguida repassá-lo para a administração estadual.

A reforma e o funcionamento do aeroporto eram uma antiga reivindicação de empresários e da população local. Em discurso, o presidente disse, ainda, que vai conversar com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o alto comando da Aeronáutica. “Com isso, pretendemos alavancar ainda mais o turismo na região, e em especial Abrolhos, com o funcionamento do aeroporto”.

Com isso, a cidade de Caravelas passará a ser um dos principais portões de entrada de turistas da zona da Costa das Baleias que reúne ainda os municípios de Mucuri, Nova Viçosa, Teixeira de Freitas, Prado e Alcobaça.


16/9/2009 Por Alex Sander Alcântara Agência FAPESP

Abrolhos por baixo d’água

Os recifes de corais correspondem a apenas um dos cinco tipos de ambientes submersos na região de Abrolhos, arquipélago localizado no litoral sul da Bahia. É o que indica uma pesquisa realizada a partir do maior levantamento oceanográfico já feito na região.

Um dos objetivos do estudo foi mapear os fundos marinhos do banco de Abrolhos. O novo mapa é resultado de mais de dois anos de pesquisas que envolveram cientistas de várias instituições brasileiras. O trabalho teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

De acordo com Paulo Sumida, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (USP), uma das perspectivas abertas pelo estudo, a partir das novas áreas descobertas, é repensar a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos. Ou seja, os estudos reforçam a necessidade de aumentar a área sob proteção legal.

“A ideia é finalizar a produção do mapa para que ele sirva como subsídio no manejo e no gerenciamento do parque. Muitas vezes, algumas áreas que são importantes para preservação e manutenção não estão sob proteção. Agora, temos dados que podem subsidiar decisões relacionadas a políticas públicas”, disse à Agência FAPESP.

O Parque Nacional Marinho dos Abrolhos foi o primeiro parque do gênero, criado em 1983. O arquipélago é composto por um grupo de cinco ilhas, sob proteção do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). É a única área do Atlântico Sul para onde as baleias jubarte migram.
A área do Parque Nacional corresponde a apenas 2% do banco de Abrolhos. O grupo vasculhou, aproximadamente, 46 mil quilômetros quadrados em uma área denominada de plataforma de Abrolhos.
“Juntamos alguns grupos que estavam realizando pesquisas e unimos esforços para fazer esse mapa mais detalhado. Em vez de cada um fazer o seu trabalho individualmente, optamos por atuar em conjunto, a fim de obter um resultado interessante e completo”, explicou Sumida.

Na nova geografia subaquática, a área descoberta é sete vezes maior do que a conhecida anteriormente. Foram encontrados bancos de algas calcárias, ou rodólitos, que se estendem ao longo da borda da plataforma, servindo como refúgio para corais de águas rasas.

O grupo conseguiu mapear certos ambientes menos conhecidos e alguns recifes mais profundos. “Encontramos uma área de recifes mesofóticos, que vivem em condições luminosas menos intensas e estão a uma profundidade de 20 ou 30 metros, chegando até a 80 ou 90 metros”, disse Sumida.

Outras feições inusitadas são as chamadas “buracas”, encontradas na área do banco de rodólitos a 90 metros de profundidade. “Estamos mapeando e escrevendo um artigo científico sobre as ‘buracas’. Segundo nossos levantamentos, parece não existir nada parecido no mundo”, afirmou.

Robô mergulhador
Para vasculhar a área, o grupo usou um robô mergulhador, um veículo submersível que produziu imagens com auxílio de transectos de vídeo – filmagem do fundo marinho ao longo de uma seção linear, com posterior análise em computador.

O equipamento pode captar imagens de fundo por um tempo praticamente ilimitado, eliminando os riscos para mergulhadores, como problemas de descompressão, por exemplo. Segundo Sumida, o equipamento apresenta algumas limitações, mas para as profundidades de Abrolhos os resultados foram bastante satisfatórios.

“Ele é pequeno e nas áreas com uma corrente mais intensa é mais limitado. O ideal seria um robô com uma câmara fotográfica e de vídeo com uma resolução maior. Mas ele desempenhou bem o trabalho que desejávamos”, disse.

O pesquisador da USP conta que os resultados ainda não foram publicados em revistas científicas, mas que o grupo já prepara um artigo sobre alguns dados da cadeia Vitória-Trindade, que nasce no meio do Atlântico e termina à beira da capital do Espírito Santo, formando ilhas como a de Trindade.

O grupo começa a colher frutos da pesquisa. No 9º Congresso de Ecologia do Brasil, que termina no dia 18 de setembro em São Lourenço (MG), os pesquisadores participarão de duas mesas-redondas para discutir novas descobertas no banco de Abrolhos.

De acordo com Sumida, como o arquipélago engloba uma área muito grande, há muito trabalho a ser feito. “Seria importante multiplicarmos esses estudos. Divulgar os dados científicos e expor novos ambientes – alguns completamente inusitados que não se conhecem em lugar nenhum do mundo, como as buracas – representa uma oportunidade para repensarmos novos gerenciamentos costeiros. Com os dados em mãos, conseguiremos ter voz ativa nas discussões de políticas ambientais”, destacou.

Além de Sumida, coordenam os estudos os pesquisadores Rodrigo Leão de Moura, da Conservação Internacional do Brasil, Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo, Ronaldo Francini‐Filho, da Universidade Estadual da Paraíba, e Gilberto Menezes Amado Filho, do Jardim Botânico (RJ).

Saídas para Abrolhos - Catamarã Veleiro Sanuk
Capacidade do barco 14 pessoas
Mínimo saída de 3 dias 4 pessoas
Mínimo saída de 2 dias 6 pessoas

Fazemos saídas com 4 e 5 dias
Fazemos o naufrágio Nebula
no parcel das paredes
Noticia por Liana Melo [ oglobo.globo.com] - 2/3/2009

Greenpeace faz protesto em alto-mar em Abrolhos

Ativistas do Greenpeace utilizaram hoje uma placa flutuante para sinalizar, no meio do oceano, a ameaça climática representada pela exploração das reservas de óleo e gás localizadas no entorno do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia. A exploração de petróleo é uma ameaça direta à biodiversidade marinha da região e uma das principais causas do aquecimento global. Com a mensagem “Lula: ABRa os OLHOS. Salve o Clima”, o Greenpeace exigiu do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criação, via decreto, de uma Zona de Amortecimento (ZA) com 95 mil quilômetros quadrados para proteger o Parque Marinho e ajudar a manter a capacidade dos oceanos de atuarem como reguladores climáticos.

A região tem a maior biodiversidade do Atlântico Sul, com um mosaico de ambientes marinhos e costeiros margeados por remanescentes de Mata Atlântica, incluindo recifes de coral, fundos de algas, manguezais, praias e restingas. Lá podem ser encontradas várias espécies endêmicas (que só existem na região), incluindo o coral-cérebro, crustáceos e moluscos, além de tartarugas e mamíferos marinhos ameaçados, como as baleias jubarte.

A Zona de Amortecimento, quando criada, impedirá atividades econômicas como a instalação de plataformas de petróleo e fazendas de camarão na região. Em 2003, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) chegou a ofertar 243 blocos de exploração de óleo e gás no entorno do Parque de Abrolhos em rodada de licitação. Na época, a sociedade civil se mobilizou, a ANP retrocedeu e o Ibama editou a portaria 39 criando a ZA, mas a medida foi suspensa pela justiça em 2007.

_ Em plena crise climática, Abrolhos, região mais rica em biodiversidade marinha e recifes de corais do Atlântico Sul, continua vulnerável à exploração de petróleo _ disse Leandra Gonçalves, da campanha de oceanos do Greenpeace.
Entre os impactos do aquecimento global que afetam os oceanos estão a elevação do nível do mar, o branqueamento dos corais, a acidificação das águas e a perda da biodiversidade. Na região de Abrolhos, especificamente, a exploração de petróleo e a carcinicultura ameaçam uma grande área de algas calcáreas, que funcionam como depósitos de carbono. São organismos como estes que tornam os oceanos os maiores sumidouros de carbono do planeta.

ANP: Salve Abrolhos, Salve o Clima

Estivemos (Greenpeace) na ANP (Agência Nacional do Petróleo) para entregar a placa que usamos em Abrolhos, durante a manifestação que fizemos numa das áreas passíveis de exploração de gás e óleo. A ANP é responsável por ofertar os blocos para exploração na região de maior biodiversidade do Atlântico Sul e, investindo na busca por mais combustível fóssil, vai na contramão do futuro renovável que nosso planeta precisa. Fonte: Greenpeace Blog

Litoral brasileiro vira santuário de golfinhos e baleias


Divulgação ASCOM
Foto Litoral brasileiro vira santuário de golfinhos e baleias

18/12/2008 - Fonte: http://www.mma.gov.br/sitio/index.php?ido=ascom.noticiaMMA&codigo=4535

Suelene Gusmão

Baleias como a jubarte, mink, orca, baleia azul, franca e bryde e várias espécies de golfinhos, entre eles o rotador, já podem desfrutar a costa brasileira como um santuário de preservação, proteção e de uso não letal de suas espécies. Decreto do presidente Lula, publicado nesta quinta-feira (18) no Diário Oficial da União, reafirma o interesse nacional no campo da preservação e proteção desses cetáceos, permitindo a pesquisa científica e o aproveitamento turístico ordenado.

A data do decreto coincide com os 21 anos da lei internacional que, desde 1986, proíbe a caça a baleias. Com a norma, o Brasil marca sua posição internacional em relação a outros países que defendem a caça. Segundo o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a nova lei abre espaço para a luta de se transformar todo o Atlântico Sul em um grande santuário, aumentando ainda mais a área de preservação. "Para isso, precisamos da adesão internacional", explicou.

O ministro disse que transformar o Brasil em santuário significa um recado aos predadores, para que eles não pratiquem atos contrários à preservação dos cetáceos. O ministro, entretanto, alertou para o fato de o Brasil precisar aumentar a força dos centros de proteção dos cetáceos. Minc informou que atualmente o Brasil só defende 0,5% de seu meio marinho. "Queremos chegar aos 10%, criando novas unidades de conservação marinha e utilizar o dinheiro da compensação ambiental para isso. Nossas UCs marinhas são muito poucas e ocupam um pequeno espaço", defendeu.

O decreto presidencial diz que a União promoverá, por meio de canais diplomáticos e de cooperação competentes, a atuação do Brasil nos foros internacionais, a articulação regional e internacional necessária a promover a integração em pesquisas e outros usos não-letais dos cetáceos.

Novas terras submarinas
Área de recifes de corais em Abrolhos é duas vezes maior do que se pensava
© Ronaldo Francini-Filho/UEPB
Florestas submersas: recifes abrigam grande variedade de peixes, como o budião, hoje comercializado pelos pescadores

Pesquisadores que estudam os recifes de corais do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, a mais antiga reserva natural dos mares brasileiros, acreditavam conhecer bem a área, até que em 2000 pescadores locais avisaram que havia recifes profundos fora dos mapas. Foram ver e encontraram novas terras submarinas: a área de recifes conhecida em Abrolhos dobrou e vem permitindo conhecer como aquele trecho do litoral se formou ao longo dos últimos milênios. “Essa descoberta casual gerou um projeto ambicioso”, conta o biólogo Rodrigo Moura, coordenador do programa Marine Management Area Science da Conservação Internacional (CI) do Brasil.

Formado por cinco ilhotas de origem vulcânica a 70 quilômetros da costa no sul da Bahia, o parque abriga mais do que as baleias-jubarte, que atraem turistas entre julho e novembro. Ali estão os chapeirões, estruturas em forma de cogumelo cujos topos às vezes se unem e formam colunatas por onde circulam barracudas, garoupas, moréias e pequenos peixes coloridos. Das 16 espécies de coral de Abrolhos, metade é exclusiva do Brasil, como o coral-cérebro (Mussismilia braziliensis), principal construtor de recifes na região. O banco dos Abrolhos, maior conjunto de recifes do Atlântico Sul, é maior que os 900 quilômetros quadrados preservados. No total são 40 mil quilômetros quadrados, área semelhante à do Espírito Santo, que só agora começa a ser investigada a fundo.

O grupo de Moura explorou o fundo do mar ao longo de 100 quilômetros da costa – entre a foz do rio Jequitinhonha, sul da Bahia, e a do rio Doce, norte do Espírito Santo –, em 19 linhas que partiam do litoral mar adentro, até a queda da plataforma continental, onde a profundidade aumenta subitamente. “Percorrer cada uma dessas linhas demorava dois dias”, lembra o geólogo Alex Bastos, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que participou de algumas expedições no barco equipado com um sonar que produzia imagens tridimensionais do fundo do oceano.

O geólogo da Ufes se surpreendeu por encontrar, a profundidades de até 50 metros, paleocanais formados há cerca de 15 mil anos, quando o que hoje é coberto por mar era terra. “Esses canais indicam por onde os rios passavam naquela época”, explica. Como estão preservados, sugerem que o nível do mar subiu rapidamente na região.

O grupo selecionou pontos de destaque nas imagens do sonar e retornou com um robô capaz de filmar locais a que um mergulhador teria dificuldade de descer. As imagens do robô mostraram corais-negros, típicos de águas profundas, pela primeira vez registrados na região, e algas calcáreas, com um esqueleto de carbonato de cálcio que lembra seixo. Em setembro os pesquisadores pretendem usar o robô para investigar outras áreas dos recifes e mergulhar a 90 metros, a fim de verificar se há corais por ali. Paulo Sumida, oceanógrafo da Universidade de São Paulo (USP) que coordena a análise dos dados biológicos, deve instalar nos recifes câmeras que automaticamente registram uma imagem por hora, a fim de estudar a dinâmica da vida marinha ali.

Embora o levantamento ecológico esteja no início, Rodrigo Moura e o biólogo Ronaldo Francini-Filho, da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), já constataram que os recifes profundos abrigam uma biomassa de peixes com valor comercial 30 vezes maior do que os rasos. Em artigo a ser publicado na Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, eles compararam a população de peixes de recifes profundos e rasos – alguns protegidos e outros com acesso livre para pescadores. Viram que áreas com restrição à pesca são mais ricas em peixes carnívoros de grande porte, como a garoupa, em geral os primeiros a desaparecer das áreas de pesca, que demoram até 40 anos para chegar à idade adulta. Com o escasseamento dos grandes carnívoros , os pescadores passam a capturar os herbívoros, como os budiões. O problema é que, sem budiões, as algas cobrem os recifes e os corais morrem.

Hoje menos de 1% da área de Abrolhos está protegida. E não há planos de preservação dos recifes profundos. Segundo Francini-Filho, seria preciso preservar 20% de cada zona para manter a biodiversidade. As reservas marinhas beneficiam todos. Como os limites só valem para as pessoas, a população de peixes aumenta rapidamente e muitos migram até 1.200 metros fora das reservas, de acordo com publicado on-line na Fisheries Research.

Mesmo em áreas protegidas, parte dos corais de Abrolhos se encontra ameaçada. Francini-Filho constatou que uma bactéria – provavelmente do gênero Vibrio, que chegou a Abrolhos em 2005 – está matando sobretudo o coral-cérebro. Os pesquisadores estimam que, se nada for feito, em cem anos só restarão 40% dos corais dessa espécie em Abrolhos. É uma estimativa otimista. Se a temperatura da água subir 1° Celsius por causa do aquecimento global, bastarão de 50 a 70 anos para extinguir os corais de Abrolhos. Com mais calor as bactérias proliferam mais depressa e surgem outros problemas como o branqueamento, decorrente da morte de microalgas que vivem no interior dos corais. Conter o aquecimento global requer ação de todos os países, mas é possível reduzir o nível de bactérias com a coleta e o tratamento do esgoto das cidades costeiras.

Pedra Perigosa não cartografada


A Delegacia da Capitania do Porto de Ilheús expediu fax alertando os navegantes, para a Segurança no Tráfego Aquaviário na região do Arquipélago de Abrolhos. Segundo o documento assinado pelo Cap. de Corveta André Luís Souza de Jesus detectou-se nas coordenadas Lat. 17º 57,48' S e Long. 038º 42,73' W (WGS84), a existência de uma formação rochosa, a qual se encontra a um metro da superfície, quando na baixa-mar média de sizígia. Este alerta é de importância fundamental, pois neste posicionamento geográfico consta nas cartas como sendo uma região de nove metros de profundidade e encontra-se no rumo de quem investe para Abrolhos pelo norte (veja na carta). O site "Mar da Bahia" solicita a todos os navegantes ampla divulgação do fato, a fim de que não venha ocorrer colisões no local e aguarda o Serviço de Sinalização Náutica balizar o ponto com um perigo isolado.


Fonte: Mar da Bahia

A história geológica de Abrolhos
4/9/2003
Por Eduardo Geraque
Agência FAPESP
-

Em tempos de mudanças climáticas globais, entender a história evolutiva de determinada planície costeira da Terra pode gerar uma ferramenta ambiental essencial para o futuro. Ainda mais se ela contém populações humanas, recifes de corais e uma alta biodiversidade marinha.

Com base nesse pensamento, um grupo de cientistas brasileiros, liderado por Ana Andrade, do Departamento de Ciências Agrárias e Ambientais da Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (BA), resolveu investigar o comportamento geológico da planície costeira de Caravelas, localizada no sul da Bahia, entre os rios Mucuri (ao sul) e Jequitinhonha (ao norte).

Os pesquisadores se detiveram no Período Quaternário, que, segundo a Escala do Tempo Geológico começou há 1,6 milhões de anos e dura até os dias atuais. O estudo Quaternary evolution of the Caravelas strandplain – Southern Bahia State – Brazil está publicado na edição corrente dos Anais da Academia Brasileira de Ciências, que pode ser consultado no endereço eletrônico http://www.scielo.br.

No caso específico do processo evolutivo de formação dos corais do sul da Bahia - Abrolhos, que está inserido na área de estudo, é considerado o maior e mais rico complexo coralino do Oceano Atlântico Sul –, quatro grandes fases evolutivas foram identificadas. O estudo coletou amostras de terrenos antigos no coral Coroa Vermelha, que fica próximo a Abrolhos.

O estabelecimento inicial dos corais no Sul da Bahia ocorreu há 7,7 mil anos. Naquele período, o nível do mar estava mais alto do que o atual. Os recifes de corais cresciam 1,5 milímetros por ano. A fase de grande crescimento das formações coralinas ocorreu quando o nível do mar regredia, mas ainda estava acima do que está hoje. Há 4,4 mil anos, aproximadamente, os corais baianos cresciam na ordem de 5,5 milímetros ao ano.

O terceiro estágio de evolução foi marcado por dois pontos de inflexão. O nível do mar se aproximou ao atual e os corais pararam de crescer na vertical. Junto com José Dominguez e Louis Martin, da Universidade Federal da Bahia, que também assinam o trabalho, Ana identificou um outro tipo de crescimento. Há 1,5 mil anos, aproximadamente, os corais do Nordeste do Brasil começaram a crescer para as laterais. Os testemunhos geológicos corroboram com bastante precisão esta informação. O trabalho atual parte de descobertas feitas pelos pesquisadores Zelinda Leão e Ruy Kikuchi, que também estudaram a geologia da região.

Prova de que o entendimento da geologia costeira de Caravelas é importante para os dias de hoje - e para o futuro - está no quarto estágio de evolução identificado pelos pesquisadores. Nos últimos 1,5 mil anos começaram a aparecer sinais de degradação dos corais, que se estendem até o presente. Não é difícil cruzar as linhas de evolução da geologia local com a da evolução humana, para entender uma das causas do problema.

 

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